Chapéu das Águas

Morro do Palácio está inserido na área do Parque Parque Natural Municipal Chapéu das Águas 

O Parque Natural Municipal Chapéu das Águas, localizado no Município de Vidal Ramos, abriga belas paisagens, mas seu principal objetivo é a proteção da água que abastece o centro da cidade.

Sua denominação, além de indicar este objetivo de proteção à água, lembra uma estrutura rochosa popularmente conhecida por “Chapéu do Sol”, onde inicia as primeiras nascentes desta Unidade de Conservação (UC). Num momento em que a maioria dos municípios brasileiros está perdendo seus mananciais; Vidal Ramos busca, na criação desta área de proteção integral, a garantia de água de qualidade para suas futuras gerações.

A corrente idealizadora desta Unidade de Conservação iniciou-se no final da década de 90, com a percepção da perda da qualidade da água bruta disponível à Estação de Tratamento de Água, CASAN.

No ano de 2007, com a possibilidade da instalação da Fábrica da VOTORANTIM CIMENTOS BRASIL LTDA, no município, aconteceu uma reunião do EIA-RIMA. O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e respectivo Relatório de Impacto Ambiental (RIMA). Nesta ocasião foram feitos diagnósticos ambientais, detectando as fragilidades dos diversos meios envolvidos na implantação de um empreendimento, ou sua ampliação. Nesse estudo, a detecção de pontos críticos, sob o ponto de vista ambiental foi avaliada, buscando soluções econômicas, visando formas de desenvolvimento sustentado, aliados as atividades de conservação e proteção da natureza.

Ficou clara a possibilidade da criação de uma Unidade de Conservação, tanto nas exigências legais, a exemplo da Lei 9.985 de 18 de junho de 2000, quanto no atributo à responsabilidade sócio-ambiental do grupo Votorantim. Portanto, existe a possibilidade de que, o Grupo Gestor do Parque Chapéu das Águas administre a preservação e recuperação de toda a delimitação do Parque Natural apoiando os trabalhos ambientais em todo o território de Vidal Ramos e cidades vizinhas afetadas pelo empreendimento. A meta é, em 70 anos de parcerias construirmos uma grande teia, trazendo benefício, não só ao centro da cidade de Vidal Ramos com água de qualidade, mas fazer com que, cada propriedade do “Berço do Itajaí Mirim” tenha seu próprio “Chapéu das Águas”. Pretendendo desta forma, mitigar e compensar os impactos ambientais negativos, resultantes das atividades antrópicas desenvolvidas neste município.

 Denominação do Parque

A primeira palavra do nome da futura Unidade de Conservação (UC) “Chapéu” lembra o nome da estrutura rochosa no ponto mais alto da UC, popularmente conhecido por Chapéu do Sol. Seu segundo nome “das Águas” traz o principal objetivo de sua criação à proteção do manancial da cidade de Vidal Ramos. 

A palavra “Chapéu” também foi inspirada no chapéu, peça muito utilizada pelos agricultores. Com esta conotação, o chapéu representa a possibilidade de trabalho e de ações humanas em prol da vida, em todas as suas formas e manifestações, servindo para proteger, resguardar e possibilitar o trabalho humano sob incidência solar. Assim a Unidade de Conservação servirá para:

Proteger integralmente a Micro-bacia hidrográfica formadora do manancial d’água que abastece, por gravidade, a população do perímetro urbano de Vidal Ramos;

Resguardar o direito à cidadania dos vidalramenses, com investimentos em programas contínuos de educação e cultura para valorização ambiental das propriedades rurais que formam o “Berço do Itajaí Mirim”.

Em resumo, o Chapéu das Águas será um constante instrumento de trabalho que possibilitará às pessoas e entidades, a edificação da ecologia na sua essência. A palavra Ecologia tem origem no grego “oikos”, que significa casa, e “logos”, estudo. Estudo da casa, ou de forma mais genérica, do lugar onde se vive.

 “O Grupo Gestor Chapéu das Águas fará o espectro que possibilitará a ação humana para construção de Corredores Ecológicos, permitindo a movimentação das águas e dos seres vivos em um período de aquecimento global.”

 Delimitação da Área

O Parque Natural Municipal Chapéu das Águas é formado pela micro-bacia hidrográfica suspensa acima da captação de água utilizada pela CASAN, em Vidal ramos, SC, e algumas propriedades que estão localizadas em seu entorno na localidade denominada Riozinho, ao lado direito da SC 427 (sentido Ituporanga).

Unificará a antiga Cascalheira do Euclides Rocha ao Perau da Santa Luíza; a atual captação de água do Chapéu do Sol, a SC 427 ao Morro do Palácio.

Traçando uma linha sobre as divisas do Parque, soma-se um perímetro de aproximados 13 km, com uma área aproximada de 458 Hectares.

 Descrição da Área

Atividade humana que se destaca hoje dentro da área da futura Unidade de Conservação é em que aproximados 25% da área está sendo ocupada pela atividade pecuária extensiva.   

A área do Parque Natural compreende cinco propriedades e agregam partes de duas outras.

Todos os proprietários aceitam a regulamentação fundiária como medida para Criação do Parque Natural Municipal Chapéu das Águas.

Em vários pontos desta Unidade de Conservação se consegue deslumbrar vistas magníficas, mirantes naturais que podem ser utilizados como atrações turística.

Situado no bioma da mata atlântica, a Unidade de Conservação é formada por ecossistemas que apresentam grande biodiversidade principalmente da flora.

As terras do Parque Chapéu das Águas iniciam em altitude de 400 metros e chegam ao ponto mais alto com 870 metros.

A montante da captação de água da CASAN, com uma queda livre de 29 metros está à cachoeira Santa Cruz, que proporciona uma belíssima imagem para quem trafega na SC 427.

 Origem da Proposta da Unidade de Conservação

A corrente idealizadora desta Unidade de Conservação iniciou-se pela percepção, por parte de algumas pessoas da comunidade de Vidal Ramos, da perda da qualidade de água bruta disponível à ETA – Estação de Tratamento de Água da Casan.

Em busca de conhecimentos ambientais, o funcionário da CASAN, Leandro Geronimo Lyra, no ano de 1999, iniciou o Curso de Graduação em Ecologia no Campus da UNIDAVI em Ituporanga.

Leandro coordena alguns trabalhos de educação ambiental integrados aos órgãos afins no município e região. Surgiu então apoio de órgãos regionais, como o Comitê do Itajaí. Sendo elaborado então, em 2001, um projeto de recuperação da mata ciliar em toda a extensão dos ribeirões e nascentes que formam o manancial da cidade.

O propósito do Projeto de Pesquisa era avaliar os benefícios da mata ciliar para a água, buscando subsídios para a realização e recuperação de todas as margens de cursos de águas da Bacia Hidrográfica do manancial. Sendo assim, concomitantemente aos trabalhos de isolamento e recuperação eram realizadas coletas de água em três pontos, tomadas de vazão. Após um ano de coleta mensal, analisando alguns parâmetros, o que chamou mais atenção foi que desde o primeiro mês de isolamento da área, houve considerável melhora nos padrões de qualidade desta água, com a diminuição do índice de coliforme fecal.

Outro fato relevante foi a perda da captação de água por três dias, em virtude de uma forte enxurrada que soterrou a barragem de captação em novembro de 2005. Novamente o funcionário da CASAN, Leandro, que estava cursando uma especialização (Curso de Gestão de Recursos Hídricos) pela UFSC, aproveitou a oportunidade e, com apoio da Universidade Federal de Santa Catarina, realizou seu trabalho de conclusão de curso: “Um Olhar Para Microbacia Hidrográfica Formadora do Manancial da Cidade de Vidal Ramos, Com Enfoque em Desastres Naturais”. Foram mapeados 13 pontos de deslizamentos e detectou-se que 100% destes sofreram deslizamentos em decorrência de ações antrópicas de desmatamento e ocupações junto às encostas. Enormes quantidades de sedimentos ficaram depositados nos leitos dos cursos de água, causando por meses, alterações contínuas na qualidade de água servida a ETA.

As constantes visitas realizadas ao manancial de água apontam também para construções de açudes em locais impróprios e estradas mal projetadas, com escavações desnecessárias na sua manutenção periódica, não considerando uma área de contribuição hídrica importante.

Alavancado com a vinda do Projeto PIAVA, com apoio dos Sindicatos dos Agricultores Rurais, Epagri, Prefeitura e Empresas Fumageiras, os trabalhos de recuperação se intensificam nas propriedades rurais.

Pela necessidade de mudas para o plantio, é formado, com apoio do Sindicato dos Produtores Rurais, um viveiro para produção de mudas de árvores nativas “Viveiro Beija Flor”, situado no centro da cidade. Pelo fácil acesso, o Viveiro se tornou uma referência para educação ambiental da comunidade escolar.

 Fundamentação Legal

Vidal Ramos abriga a maior reserva de calcário de Santa Catarina e é na exploração destas minas que a população vidalramense acredita no desenvolvimento econômico do Município. São reservas de posse da VOTORANTIM CIMENTOS BRASIL LTDA, que divulga, de acordo com o projeto apresentado, o início da exploração para o ano de 2010.

Para a possibilidade da instalação da Fábrica, no município é realizado o EIA-RIMA; os estudos e relatórios prevêem que, a implantação e operação de uma empresa de grande porte trarão redução da qualidade de vida na cidade, do ponto de vista ambiental e conservador. Contudo, por outro lado, trará o desenvolvimento para a região ao diversificar a base econômica da cidade, aumentar a renda local, possibilitar a chegada de tecnologia, mais educação, melhora dos serviços de saúde, saneamento e bem estar da comunidade.

 Falando também das necessidades de avaliação dos impactos ambientais resultantes das fases de implantação, operação e desativação das minas de calcário associadas a este empreendimento, com adoções de medidas preventivas, mitigadoras ou compensatórias.

Desta forma, tornou-se legalmente possível uma manifestação popular de apoio a um antigo sonho de proteção integral da Micro-Bacia hidrográfica formadora do manancial que abastece a cidade de Vidal Ramos. A campanha, iniciada no dia 24 de outubro de 2007, pedia apoio em uma lista de assinaturas, intitulada como: Parque Natural Municipal “Chapéu das Águas”. E com o lema: Garantindo água para as futuras gerações, identificando o local e o real objetivo de proteção à água. Como se trabalhou com muitas famílias do perímetro rural, também se fazia o apelo para que cada propriedade criasse o seu - “Chapéu das Águas”, de forma que cada qual iniciasse a proteção e recuperação de áreas alteradas onde mora, impingindo a responsabilidade do indivíduo sobre a água de sua propriedade. No dia 29 de fevereiro de 2008, somava-se ao manifesto de apoio uma lista com aproximadamente 2900 assinaturas.

 Entrega de Documentos

No último dia 04 de abril, foi conduzido ao presidente da FATMA, de Florianópolis, Carlos Leomar Kreuz, uma proposta para que se consolide a Criação do Parque Chapéu das Águas, em Vidal Ramos.

Apresentado pelo Ecólogo Leandro Geronimo Lyra (CASAN), vereador Edílson Luiz Boing, acompanhados ainda pelo Deputado Rogério Mendonça, o projeto da Unidade de Conservação (UC), é compreendido por uma área de 458 há. O objetivo principal é de garantir água com qualidade para a cidade de Vidal Ramos.

 Juntamente com 300 páginas de justificativas do projeto soma-se a assinatura de 2.914 pessoas, com total apoio de autoridades municipais.

Dentro dos critérios de responsabilidade e sustentabilidade, para com o crescimento ordenado da cidade, os munícipes aguardam ansiosos agora, para que a FATMA decida favoravelmente ao estímulo da questão da criação do Parque Chapéu das Águas.

 Fonte: Leandro Geronimo Lyra

Proposta para criação de uma Unidade de Conservação PARQUE NATURAL MUNICIPAL “CHAPÉU DAS ÁGUAS”  -  Vidal Ramos, Santa Catarina. Março de 2008.

 




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